segunda-feira, 27 de junho de 2011

O roubo do fogo (Antonieta Dias de Moraes)

Há muito tempo atrás, a terra era de todos, mas o fogo, não. O fogo possuía um dono. O dono do fogo era o Urubu. Para o Urubu não esfriar, ele o trazia sempre escondido debaixo das asas.
Baíra, observando que naquele tempo os índios secavam os alimentos ao sol, então resolveu este
roubar o fogo para que eles pudessem cozer sua comida.
Baíra era muito inteligente. Sabia muitas coisas. Falavam que foi ele que ensinou os Parintintim
a caçar passarinhos com visgo … Os ensinou a pescar com sangab, uma espécie de peixe fingido, para retirar os peixes de verdade. Baíra ensinou várias coisas á eles.
Certo dia, ele falou:
―Por que o fogo tem que ter dono? O fogo deve ser de todos! A água tem dono? Não tem. O sol tem dono? Não tem. A terra tem dono? Não tem. E as plantas tem dono? Não tem. Então por que o fogo há de ter dono? Não pode,o fogo tem que ser de todos.
Planejou o que ele faria para roubar o fogo do Urubu. Entrou no mato, se cobriu de folhas e de cupins, depois se deitou no chão, sem se mexer. Fingiu-se de morto.
Dali a pouco ouviu um zumbido: zum-zum-zum... Era a mosca azul, zumbiu, zumbiu deu muitas voltas ao redor do morto fingido, imaginando que ele fosse um morto de verdade. Em seguida saiu na disparada para o céu .
Naquele tempo, morava no céu o dono do fogo.
O Urubu veio logo, não perdeu tempo, trouxe o fogo debaixo das asas, amigos e familiares o acompanhavam. Segundo os índios, na época, Urubu era como gente tinha mãos e tudo. Mesmo morando no céu, comia carniça como hoje. Por ter mãos preparava o Moquém, uma grelha feita de varas que servia para assar e defumar a carne e o peixe.
Ele preparou o Moquém e colocou o fogo embaixo. Soprou, soprou e o fogo bastante vermelho, muito quente. Baíra não mexia-se, porém abria um dos olhos e espiava, espiava,
para aprender a mexer com o fogo. Quando estava aceso Urubu chamou os filhos para olharem o fogo.
De repente Baíra mexeu-se, sem querer. Os filhos de Urubu olharam o fogo e avisaram:
―Papai o homem se mexeu!
Urubu não acreditou. Para que não incomodassem, mandou os filhos caçarem moscas azuis,
com as flechinhas que havia lhes dado. Os pequenos se distraíram, caçando moscas, e esqueceram o fogo.
Vendo sob o moquém as labaredas bem avermelhada, Baíra se levantou, de repente, e roubou o fogo. Na mesma hora ele fugiu. Urubu, ao ver aquilo, avisou sua gente. Foram todos juntos a procura do ladrão. Baíra escondeu-se no oco de uma árvore, Urubu e sua gente meteram-se também no oco do pau, para escapulir, Baíra saiu pelo outro lado e entrou em um matagal que havia por perto.
Urubu quis adentrar pelo mato, mas fracassou, devido as asas que o atrapalhava. Foi desta forma que Baíra pode fugir e encontrar a margem de um rio muito largo.Do lado de lá estava todo o seu povo, a tribo dos Parintintins, mas o rio era tão largo que ele não podia atravessar.
Queria entregar o fogo mas o rio o separava. Chamou a cobra surradeira, uma espécie de cobra que corre muito, e falou:
―Aqui está o fogo. É necessário levá-lo para minha gente que fica do outro lado do rio. Vá rápido, para que o fogo não apague.
Colocou o fogo aceso nas costas da surradeira, e ordenou que levasse através da água. A cobra, ouvindo a ordem de Baíra, partiu rápido, mas infelizmente não chegou ao lado oposto.
Baíra puxou o fogo com uma vara, que tinha a ponta em gancho, e chamou o camarão. Colocou o fogo em suas costas, ordenando que o levasse para sua gente, do lado oposto do rio. O camarão chegou até o meio do rio, mas, não suportando o calor, virou camarão cozido e ficou vermelho, e assim é até hoje.
Baíra puxou o fogo com a vara novamente, e chamou o caranguejo. Pois o fogo em suas costas, dizendo para levar o fogo a sua gente, do outro lado do rio. Depois, disse de si para si:
“O caranguejo, sim, é que vai levar o fogo para meu povo”.
Mas o caranguejo não suportou o calor e, chegando ao meio do rio, ficou todo vermelho como é até hoje.
Baíra não desistiu. Puxou o fogo para si e colocou as costas de uma saracura.
―Vou levar o fogo a sua gente do outro lado do rio-prometeu a ave ao grande herói.
Partiu em disparada,quasesem roçar a água,mas não teve tempo de alcançar o outro lado. Nem sentiu o calor do fogo nas costas ,começou a gritar:
―Não pode !socorro!socorro!
Baíra pegou o fogo e chamou o sapo-cururu. Este pegou o fogo e...pula-que-pula,nada-que-nada foi levando-o para os parintintim,que aguardaram a margem oposta . Chegou pertinho,mais estava exausto,não conseguia sair da água . Os índios levaram-no para a terra,e pegaram o fogo.
Feito isso,Baíra apertou o rio e fê-lo estreitar-se como um riacho. Deu um salto e chegou a margem oposta facilmente. Encontrou o seu povo,que festejou a façanha do herói durante uma semana,com festas e danças.
A partir daquele dia ,graças a Baíra os Parintins conheceram o fogo. Puderam assar o peixe e a caça moquém.
Cururu o sapo por ter levado o fogo virou o pajé. Por isso é chamado “ladrão do fogo”,e pode comer o foguinho dos vaga-lumes sem se quer se queimar.
Mas,quando faz frio,não há fogo que o aqueça. Aí,ele se recorda do fogo de verdade,e conta assim:
“― Sapo-cururu na beira do rio,quando o sapo canta,cururu tem frio”...



Reescrita de Lenda
Isabelly -5 Ano A

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